Os shows esse fim de semana no Rival+tarde foram antológicos. Primeiro porque dividimos a noite com um cara que admiro faz tempo, Siba. Ele tocou rabeca conosco em duas músicas e fez também seu show maravilhoso com a Fuloresta, que banda!
Fora isso Chico Dub discotecando só o fino, como sempre!
O Rival+tarde é uma iniciativa da Leandra Leal, que quer transformar a rua do Rival numa alternativa de noite no Rio de Janeiro. Em breve vai inaugirar o Bar Maria Louca e pretende fechar a rua para carros, transformando-a numa espécie de rambla. Tem meu total apoio.
Esse fim de semana no Rio teve muitas opções de shows, pena que os jornais da cidade tenham perdido essa oportunidade de pauta, de dizer: olha só, vocês que reclamam tanto que o Rio não tem opções de shows, olha quanta opção...
Mas tudo certo, assim é que é bom!
Acima fotos do show no Rival tiradas pela Leticia Aido e abaixo um video do Bruno para o Urbe.
Tocamos no 3º aniversário da Rádio Ufscar dia 23 de agosto, uma rádio com uma programação para lá de maneira, que faz várias atividades, dentre elas o Festival Contato, que rola em outubro.
Bom, como vocês puderam perceber, não tive tempo de postar nada durante a tour na Argentina e Chile, e na volta ao Brasil rolaram alguns shows, então continuei sem tempo.
Tem milhares de fotos rolando no meu facebook, então aconselho a todos me adicionarem lá, assim terão acesso a todas as fotos da tour.
Abaixo duas fotos do show acústico no Sesc Ipiranga dia 21 de agosto, postadas também no facebook pelo Cristiano Caniche. Gracias!
E esse video, enviado via facebook também pelo Leonardo Koga, obrigado Leo!
Música + máquina vai parar na cabeça via palma da mão.
A música é uma necessidade humana e existencial? Ecos dos nossos antepassados? Um calmante para o cotidiano feroz e barulhento das grandes cidades?, ou uma compulsividade atrelada à tecnologia? Me arrisco a dizer que tudo ao mesmo tempo e muito mais.
Seja no carnaval, no elevador, na sala de espera do dentista, na tv, no carro, na academia, no cinema, na bicicleta, na corrida, no bar, e toda hora e sempre, sua presença é tão onipresente que entendo quando o poeta Antônio Cícero reclama da falta de um pouco mais de silêncio.
Mas mesmo “todo silêncio é grávido de som”, como pregou John Cage. O compositor Erik Satie, já no século 19, considerava os sons ambientes que estão a nossa volta como música.
A questão que se coloca nos dias de hoje é que nunca foi tão fácil e barato(para não dizer de graça) o acesso à música e à portabilidade em relação a ela. Até bem pouco tempo não era possível carregar todos os cds da sua casa dentro de um bolso. E com isso nunca se ouviu tanta ,e todo tipo, de música no mundo.
A audição hoje em dia é feita sobretudo em aparelhos portáteis e móveis como o celular e o ipod. As pessoas agora ouvem música dentro de suas cabeças.
O que antes era fácil para a indústria fonográfica, hoje se tornou mais complexo. Não basta apenas por os meninos para ver televisão e gastar sua mesada na loja de Cds do shopping(até porque essas lojas estão acabando) consumindo o que dizem ser o artista ou banda do momento.
Agora todos eles sabem de cor todos os códigos da cultura digital, e para quem convive ou conhece qualquer adolescente hoje em dia, sabe que o conhecimento musical deles explodiu. Nem precisamos ir tão longe, pense na quantidade de artistas e estilos que você teve acesso nos últimos anos e quanto tempo demoraria para isso acontecer se dependêssemos apenas de lojas e discos.
As músicas que nos seduzem agora não precisam mais ser hits de mercado,elas estão cotidianamente passando de blog em blog, email em email, msn para msn, twitter a twitter, e vão invariavelmente desaguar num aparelho na palma da mão.
Uma música para ser um hit só precisa ser boa. E rodar e rodar e rodar dentro da sua cabeça e do seu coração.
Os médicos reclamam que tantas horas com fones no ouvido causam danos a audição. Mas assim como o ar que respiramos, a comida que comemos e o trânsito que fazemos, nós também somos produto das merdas que criamos. E não desfrutamos apenas do lado negativo disso não é mesmo?
Felizmente a música não vive só de merda. Muito pelo contrário, com o acesso fácil, a deusa roda o mundo.
Hoje é comum ouvir o grupo Buraka Som sistema tocar Kuduro(música eletrônica angolana) em qualquer boate de Lisboa;ouvir Hiplife(mistura de Highlife e Hip hop), espécie de Dance hall africano, no Canadá ou Reino Unido. O Afrobeat da banda Nomo, composta por jazzistas brancos do Michigan-u.s.a, ou baixar os mp3 da gravadora alemã Man recordings, especializada em funk carioca.
Hoje o som chega primeiro que a imagem, que a indústria, que o marketing. É só um amigo dar um copy e paste e é você que irá decidir sozinho se aquela música vai para o trono do seu itunes ou para a lixeira.
Hoje é assim, máquinas fazem cópias, fones nos ouvidos, música fazendo a cabeça e a imaginação indo longe.....
Ou como diz uma letra minha:
“Get out of hand
it’s all mixed up
free copy machine
count me in
go go go go go
who can say which way”
Lucas Santtana é cantor, compositor, produtor, multi-instrumentista e concentra suas atividades em www.diginois.com.br